Nelson Rodrigues foi um dos grandes nomes da crônica futebolística brasileira. Suas crônicas ajudam a construir e perpetuar uma realidade, de acordo com os métodos literários como a fantasia. Nelson Rodrigues desejava que fugíssemos do padrão europeu do futebol e criássemos a nossa brasilidade. Para ele, isso se traduziria em “toda a magia, toda a beleza, toda a plasticidade, toda a imaginação” do futebol de nosso país, segundo citação do próprio. Quem quisesse, segundo Rodrigues, aproximar-se do futebol como jogador na Europa, faria a apologia do futebol feio: “era como se estivessem apresentando o Corcunda de Notre Dame como um padrão de graça e eugenia”.
Antes da Copa de 1958, Nelson comentou sobre a “inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do mundo. Isso em todos os setores e, sobretudo, no futebol”. Porém, após a primeira conquista mundial da seleção brasileira, não havia mais um porquê de o povo se sentir assim, como um vira-lata; pelo menos, no futebol. E era esse setor da sociedade que daria esperança às massas.

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