quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Gato por lebre

Por Vinícius Perazzini

Como mostra do difícil momento em que se encontra o Jornal dos Sports, a capa da edição impressa do dia 26 de novembro de 2009 denuncia a falta de conhecimento e atenção dos profissionais responsáveis pela veiculação do jornal.

Além do pouco cuidado com a diagramação na utilização de legendas curtas abaixo de grandes ilustrações e o erro na grafia do nome America com acento agudo, quando na verdade não possui, a apresentação da matéria principal, que se refere ao título da Segunda Divisão do Campeonato Carioca conquistado pelo America apresenta um grave erro.

Com o título "Mecão Campeão!" acompanhado de "O América venceu o Artsul, em Edson Passos..." e uma foto em destaque com o placar do jogo, a manchete naturalmente induz o leitor a pensar que aquela figura se refere ao jogo citado anteriormente, quando na verdade a imagem é do jogo realizado em 21 de novembro de 2009, sábado, no qual o America garantiu matematicamente o acesso à Primeira Divisão do futebol do Rio de Janeiro, com uma vitória sobre o Nova Iguaçu por 1 a 0, no Estádio Jânio Moraes, em Nova Iguaçu.

* Comemoração após êxito contra Nova Iguaçu. Partida com Artsul terminou depois de 22 h, sem a luz do Sol

Sem legenda plausível, com omissão de localidade e data, a perceptível falha afeta ainda mais a já abalada credibilidade do Jornal dos Sports. Como pode um jornal voltado somente para a área esportiva desconsiderar o conhecimento específico de seu público alvo?

FutRio, site especializado em futebol carioca, utiliza grafia correta para America como clube

* Foto de Wilson Cruz / divulgação do America

O bom humor de Nelson Rodrigues

Por: Aruan Garvizu, Helena Andrade, Julia Lagame e Nina Marques


"Por onde vai, o Rubro-Negro arrasta multidões fanatizadas. Há quem morra com o seu nome gravado no coração, a ponta de canivete. O Flamengo tornou-se uma força da natureza e, repito, o Flamengo venta, chove, troveja, relampeja."


"Cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia."

"A Grande Guerra seria apenas a paisagem, apenas o fundo das nossas botinadas. Enquanto morria um mundo e começava outro, eu só via o Fluminense".

"Pode-se identificar um Tricolor entre milhares, entre milhões. Ele se destingue dos demais por uma irradiação específica e deslumbradora."

"Botafogo é o clube mais passional, mais siciliano, mais calabrês do futebol brasileiro."

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Conheça a verdadeira história da cor do Jornal dos Sports por Haroldo Habib

por Thaís Nascimento

Thaís Nascimento
Haroldo Habib aos 11 anos conheceu um amigo da família, que era jornalista e se apaixonou pela profissão. Fez faculdade de Direito na Cândido Mendes. Em 1980 concluiu a faculdade. Já estava casado. Surge a oportunidade para trabalhar em um jornal.

Depois, trabalhou como Assessor de Imprensa do INSS do Estado e trabalhou até o ano de 1979. Trabalhou por três meses no Fluminense e depois foi para o jornal O Globo, cobriu férias de um repórter. Em 1980, O Dia fez uma proposta para ganhar duas vezes o salário anterior.

Quando trabalhou no jornal Última Hora em 1986 trabalhava como estagiário e conseguiu um registro profissional na área de Jornalismo. Ele aprendeu a ser jornalista no dia a dia, pois não fez faculdade de Jornalismo. Em 1987, O Globo também ofereceu duas vezes o salário. Em 1998, O Dia chamou novamente e 1999 saiu e foi trabalhar no Lance!

Em 2001, o Jornal dos Sports ofereceu o seu primeiro grande cargo como Diretor de Redação e depois tornou-se Editor Executivo. Foi Editor Executivo no Jornal dos Sports no período de junho de 2001 até agosto de 2005. Nesse período em que trabalhou lá conseguiu reformular o jornal.

Entretanto, o jornal entrou em crise e mandou muitos funcionários embora. Ele estava nessa lista da empresa, por ter um grande cargo e salário. Porém, não foi pago corretamente e entrou com uma ação de direitos trabalhistas contra o jornal. Com este processo a indenização cresceu seis vezes. O Juiz já determinou ganho de causa a Haroldo Habib.

Já teve o primeiro leilão, mas não teve comprador para o jornal. Ele é a primeira pessoa que penhora uma marca de jornal. Atualmente, trabalha no jornal Lance!. Como Editor de Criação. Criou o primeiro manual do jornal em tempo recorde: dois meses.

No meio da entrevista, surge um grande furo sobre o Jornal dos Sports. Por que a cor do Jornal é rosa? Em 1931, o jornal tinha data para sair. Os editores foram buscar as bobinas e as colocaram nas máquinas. Entretanto as bobinas eram cor de rosa. Quiseram mudar a data de lançamento do jornal, porém mantiveram a data e a cor rosa do jornal. Essa é a verdadeira história contada por um ex-funcionário.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Do auge à decadência!

Por Janaína Pimentel, Karlla Gelabert, Natasha Costa e Rafaela Alves

Janaína Pimentel
Um jornal fundado na década de 30, marcado por inúmeras matérias que deixaram o Jornal dos Sports como símbolo de uma era e referência para todos os outros meios de comunicação. Assim é a associação feita às lembranças do JS. Contudo, o que se tem hoje são apenas vestígios do que um dia foi um dos melhores jornais esportivos do país.

Após 78 anos de existência, o Jornal dos Sports se encontra em um momento difícil. Poucos funcionários e uma pequena redação que funciona no terceiro andar de um prédio no centro do Rio de Janeiro, traz à tona a verdadeira história do que é o JS hoje.

Atualmente divide espaço com o restaurante Mr. Ôpi, e a boate Nuth. No terceiro andar do prédio localizado na rua da Quitanda, o jornal funciona com alguns poucos estagiários e colunistas que, segundo o editor geral do Jornal, Marco Larosa, não interfere no desenvolvimento do grupo. "Não precisamos de muito espaço para fazer uma matéria, poucos são os meios de comunicação que se preocupam com o tamanho de sua redação. Hoje, tudo é relacionado à Internet, onde temos os jornalistas que estão sempre atualizando o site, a cada momento. Até porque, o fim do impresso é algo totalmente previsível e próximo.", relatou Larosa.

Contudo, além da decadência, atualmente o JS também enfrenta uma grande disputa . O Lance! e, também, o Campeão, além de tantos outros, dividem os consumidores e pioram a situação de um jornal que, um dia, já foi mais vendido. Entretanto, ao conversarmos com Marco, ele explica o por quê dessas grandes empresas interferirem no melhor desenvolvimento do JS e também fala um pouco sobre a história do jornal e tantos outros assuntos que interferem no cotidiano jornalístico.

Janaína Pimentel
Larosa enumera as vantagens dos jornais on-line




Grupo FACHA: Quando foi o auge do Jornal dos Sports no mercado impresso? E por quê?

Marco Larosa: O auge do Jornal dos Sports foi na década de 60/70. Isso remete ao fato de que o JS era o único jornal no seguimento dos esportes naquela época. Não havia muitas opções de escolha com relação ao esporte, e quanto a internet, as pessoas, mesmo as mais ricas, não tinham facilidade de acesso.
Então, o que resta são os jornais das bancas, e como o JS tinha uma das mais altas tiragens do mercado acabava ganhando mais atenção dos leitores.



GF: Quais são as causas para a decadência financeira do JS? E o LANCE! teve alguma participação para essa crise?


ML: Em primeiro lugar, assim como todos os negócios, o JS teve seus altos e baixos. E em segundo lugar, não foi somente por causa do LANCE que o JS entrou em crise, o que aconteceu foi que o Jornal mudou de foco.
Diferente do LANCE, por exemplo, o JS não atende só ao futebol, mas também ao vôlei, à natação, ao judô e a todas atividades que podem ser chamadas de esportes.
E, hoje, os principais jornais do mercado têm seus próprios cadernos de esportes, portanto, as opções que um leitor têm para obter informações sobre os esportes são muitas, e, foi justamente isso que fez com que o JS saísse de sua singularidade.
Portanto, mudamos de foco, saímos do impresso para investir no Portal do JS, mas não porque estaríamos falindo e sim, porque a tendência do mercado é o fim do papel, primeiro porque agride menos o meio ambiente, segundo que o capital de custo é menor, terceiro porque a agilidade da informação urgente é muito melhor, enfim, são tantas as vantagens que contam na balança que fizeram o JS seguir nesse seguimento.



GF: Por que não achamos mais o JS nas bancas do Rio?

ML: Porque a praticidade e a preferência de acesso à Internet hoje é bem maior pelos leitores do JS. Não sujam as mãos como o jornal, não têm dificuldades para folhearem as páginas e as informações chegam em tempo real.



GF: Como editor chefe, quais são suas expectativas para o jornal depois dessa crise? Pretende retomar o JS do passado?

ML: As minhas expectativas são que meus profissionais tenham competência de pegar o furo dos acontecimentos, e que dali mesmo abram seus laptops e postem uma nota no site em tempo real.
A partir disso, nunca vou dar a "bobeira" de voltar ao JS do passado, já que hoje os tempos e as tecnologias são outras. Do contrário nunca teremos as notícias em primeira mão, muito menos conquistar credibilidade no mercado e a fidelidade de nossos leitores.

Janaína Pimentel
A pequena redação improvisada do Jornal dos Sports



O Jornal dos Sports é referência para todos os outros que falam sobre o assunto, até porque, enfatiza todos os esportes de um forma geral e não prioriza o futebol, como ressalta o editor do Jornal. "Somos uma equipe que sempre falou de tudo. Se é esporte, estamos falando. Não damos mais atenção ao futebol, mesmo sendo a paixão nacional. Eu acho que as pessoas tem que ter uma noção de tudo, mesmo que seja chato às vezes, até porque, informação nunca é demais.", relatou.
Portanto, o JS ainda permanece vivo, mesmo que em um momento ruim. Não mudou seu perfil e também não virou tablóide, como tantos outros que estão em maus momentos e já aderiram ao modelo. É notório que ainda enfrenta diversidades, mas o Jornal mostra sua força e vontade de ficar no mercado. Mantém o "rosa" e ainda está assim, para mostrar que, mesmo enfrentando tantas dificuldades, ainda é o Jornal dos Sports.


Janaína Pimentel

Entrada da pequena redação do Jornal dos Sports

Revisando o passado

Por: Leo Borges, Luiza Marinho, Luciano Mendes e Juliana Bitencourt


Quando entrou para o Jornal dos Sports, entre o fim dos anos 90 e o início de 2000, o jornalista Nivaldo Lemos esperava ficar na equipe por bastante tempo. Tal fato se deve ao prestígio do jornal, que sempre foi referência no que dizia respeito a jornalismo esportivo de qualidade. Em entrevista, Nivaldo comenta as condições de trabalho e relembra grandes nomes que estamparam as páginas do JS.

Na época em que foi contratado como revisor de textos da publicação, Nivaldo conta que a sede do jornal ficava na Rua Tenente Possolo, na Cruz Vermelha, centro do Rio de Janeiro. “As instalações eram antigas e precárias. Usávamos máquinas de escrever em péssimas condições e a Redação funcionava sem ar condicionado”. O jornalista diz ainda que havia profissionais muito bons e outros ruins, o que gerava um desequilíbrio na equipe como um todo. Lá Nivaldo encontrou uma figura renomada, que trabalhou com ele nos jornais O Dia e A Notícia também. “Nessa época o Henfil lançou seus célebres personagem de clubes cariocas no JS: Urubu (Flamengo), Cri-Cri (Botafogo), Bacalhau (Vasco), Pó Pó (Fluminense) e Gato Pingado (América). Suas charges eram das melhores coisas do jornal”.

O Jornal dos Sports, que já abrigara em suas páginas O Sol – suplemento que era um celeiro de jornalistas, escritores e intelectuais contrários à ditadura, perdera muitos anunciantes e acumulara dívida imensa com fornecedores por conta disso. “Acredito que a partir daí, a família Velloso acabou comprando o jornal a preços baixos, mas não soube administrar o negócio que, pouco tempo depois, faliu junto com as Casas da Banha, comércio que os lançou no mercado”. O jornalista revela que o que mais lhe chamou atenção durante o período em que trabalhou no veículo foi a questão financeira. Salários baixos e muitas vezes atrasados se tornaram rotina na época. Ele cita outros grandes nomes com que conviveu em sua fase no JS: Nélson Rodrigues Filho que falava do Fluminense e anos depois – desiludido com a carreira e o país – acabou abrindo o badalado bar Barbas, de muito sucesso em Botafogo, o Áureo Ameno, que cobria o Vasco, e o Eduardo Lacombe, que falava do Flamengo.

Crônica de Nelson Rodrigues inspira Cuca no Fluminense


Por: Aruan Garvizu, Helena Andrade, Julia Lagame e Nina Marques


"A verdade incontestável é que ninguém ganha da forma como nós ganhamos. As vitórias dos outros são simples, quase sem graça. Algumas beiram a banalidade, o ridículo, as nossas não. As nossas são cardíacas...".
Qualquer semelhança entre esse trecho, de uma célebre crônica de Nelson Rodrigues, com o momento atual do Flu é mera coincidência.


– Essa frase encaixa bem com o Flu. Geralmente é isso mesmo que se vê. São coisas épicas, heroicas e, quando geralmente está num quadro catastrófico, o Flu tem forças para sair. Não sei se vou mostrar para o grupo ainda, mas o importante é que eu vi e senti tudo isso, e eu sentindo quero passar toda essa energia para os jogadores. Que Deus abençoe todas essas palavras e que sirva de motivação até o fim do ano – disse o treinador.

Nelson Rodrigues - Literatura Contemporânea

Por: Aruan Garvizu, Helena Andrade, Julia Lagame e Nina Marques

Apesar das maiores realizações artísticas de Nelson Rodrigues estarem na dramaturgia, é inegável sua importância para a crônica brasileira, tanto por seu estilo personalíssimo, marcado por uma quase inesgotável capacidade de criar frases de efeito (que nem sempre primavam pelo bom gosto), quanto pela veia polemista e iconoclasta com que retratou os costumes do Brasil urbano, num período compreendido entre as décadas de 1950 a 1970.
Muitas de suas frases e expressões acabaram ingressando numa espécie de memória cultural brasileira por serem provocantes e até agressivas:

– Num adultério, há homens que preferem ser o marido, não o amante. Os homensadoram ser traídos.
– Todo amor é eterno e, se acaba, não era amor.
– Toda mulher bonita é um pouco a namorada lésbica de si mesma.
– No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte.
– O Sábado é uma ilusão.
– Aos dezoito anos, o homem não sabe nem como se diz bom-dia a uma mulher. O homem devia nascer com trinta anos feitos.
– O amigo trai na primeira esquina. Ao passo que o inimigo não trai nunca. O inimigo é fiel. O inimigo é o que vai cuspir na cova da gente.
– Toda mulher gosta de apanhar.
– O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento.
– Qualquer menino parece, hoje, um experimentado e perverso anão de 47 anos.
– Se cada um conhecesse a intimidade sexual dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.
– Toda unanimidade é burra.

Outra peculiaridade na elaboração de suas crônicas é que, apresentando-as sob a forma tradicional de comentários sobre o cotidiano (portanto, como expressão direta das idéias do escritor a respeito da vida), ele introduz nelas personagens ficcionais e seres reais, que coexistem e dialogam entre si ou com o próprio autor.